segunda-feira, 24 de maio de 2010

C.Caç.2659 - Guiné 1970/1971

Companhia de Caçadores 2659
Guiné 1970/1971

Convívio
Santo Tirso – 5 de Junho de 2010




Como ficou combinado no último encontro em Felgueiras, este ano de 2010 vamos até Santo Tirso e o nossos amigo FONSECA, arranjou para nós um local, mesmo no centro da sua cidade natal

Assim, vamos até RESTAURANTE CAMPINHOS, situado na Avenida S. Rosendo, 42 a poucos metros de distância do Hospital e relativamente perto do Tribunal

EMENTA

Entradas Várias – Melão c/Presunto, Pasteis de Carne e Marisco, Bolinhos de Bacalhau, Croquetes, etc.
Prato de Peixe – Bacalhau à Santa Luzia
Prato de Carne – Misto de Vitela e Cabrito à Companhia de Caçadores
Sobremesa – Fruta Laminada e Bolo Comemorativo
Bebidas – Vinho Verde ou Maduro, Aguas e Refrigerantes, Café Digestivo

Custo por pessoa: 25,00 €uros


Quem vier do Porto ou Braga, saindo na portagem de Santo Tirso, toma o caminho para a cidade, tendo sempre em mente o centro de Santo Tirso.
Aí chegado só tem que seguir, perguntando se for necessário, em direcção ao Hospital. Um pouco mais à frente, do lado esquerdo, fica o Restaurante Campinhos

Restaurante Campinhos – Av. S. Rosendo, 42 4780-364 Sto. Tirso
Telefone: 252 851 617

Contactos para confirmares a tua presença (até ao dia 02 de Junho)
Júlio: 933251480 – Fonseca -918872633
bormanicus@sapo.pt

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Convívio em Pegões Velhos

Pois...
Às vezes é assim. Começamos uma coisa e não acabamos. Porém, como ainda faltam uns dias para o encontro/convivio, em Pegões Velhos, gostaria de recordar a toda a malta do ex. Batalhão de Caçadores 2905, que ainda vai a tempo de se inscrever.

É que, quantos mais participarem, melhor é o convivio e sinal que continuamos vivos.

sábado, 17 de outubro de 2009

Encontro Anual do BCAÇ. 2905

Como habitualmente, no próximo dia 5 de Dezembro, realizar-se -à mais um encontro/convívio dos elementos do Ex. Batalhão de Caçadores 2905.
Este ano, iremos até Pegões Velhos, terra dos nossos amigos Soberano Aresta e Amilcar Valentim. Brevemente irei ao vosso encontro, com os habituais convites e desde já exorto-vos a que não falteis à chamada.
Por agora vou colocar aqui o croquis do itinerário, que foi "aprovado" pelo Valentim.
Até breve

Júlio César

sábado, 23 de maio de 2009

Encontro da C. Caç. 2659

Depois de um ano de interregno, por motivos imprevistos e uma vez que, pedido do Girão, não é possível irmos até Coimbra, o Machado com a colaboração do Júlio, vai organizar novo convívio em Felgueiras, no próximo dia 6 de Junho.
Aliás já foram enviados a todos os ex. combatentes da Ex. Companhia de Caçadores 2659, a carta convite, por forma a todos podermos participar em mais um convívio.
Nesse sentido apelamos a todos os interessados em participar, para que entrem em contacto connosco, pelos telefones 255310550/917512122 (Machado) ou 933251480 (Júlio) atá ao dia 2 de Junho, para que possamos comunicar o responsável pelo restaurante Cangalho, do numero de comensais.

Com um abraço amigo
Até ao dia 6 de Junho
Júlio César Ferreira

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Encontro/Convívio em Aveiro

No último sábado, dia 6 de Dezembro, cerca de 60 antigos ex. combatentes do B. Caç. 2905, acompanhados de suas famílias, num total de 75 pessoas, encontraram-se no Complexo Turístico Novos Capelas, em Aradas, próximo de Aveiro, tendo sido recebidos de forma soberba, quase príncipesca, e servidos de forma muito profissional, atenta e correcta.

Durante o repasto, houve tempo para trazer à memória muitas das aventuras vividas, naquela que foi a mais importante aventura das nossas vidas e mesmo que, aqui e ali, se pressentisse alguma fantasia, a verdade é que, muitas das peripécias foram recordadas de forma emotiva.

Com habitualmente e depois de ter chegado à organização destes encontros um proposta bem fundamentada, foi escolhido, por votação por braço no ar, a localidade de PEGÕES VELHOS e serão anfitriões para o para o 19º Encontro os nossos camaradas Soberano Aresta e Amílcar Valentim.

Uma tabanca, algures no Canchungo


À margem dos restantes membros do Batalhão, houve uma conversa particular com os membros da C. Caç. 2659, que normalmente se reúnem, também em convívio, na primeira semana de Junho de cada ano. Como este ano de 2008, por razões que escapam à maioria dos membros desta companhia, não houve convívio, o responsável por este Blog, ficou de contactar o Girão, para hipotética realização em Coimbra. Em caso de indisponibilidade deste, o encontro realizar-se - à em Santo Tirso, terra natal do nosso amigo Fonseca

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Abril - Maio de 1996

Porque me pediram, vou postar algumas das fotos que fiz aquando da minha visita à Guiné, em Abril - Maio de 1996, na companhia do Acácio, Aristoteles, Albuquerque, Mourão da CCS, do Costa e Silva, Madureira e eu próprio da CCAÇ. 2659 e ainda, Virgilio e Barbosa, da CCaç. 2660 Uma visão do Cais do Pidjiguiti

Por do Sol, no Cacheu, junto do Fortim que marca a chegada dos portugueses à Guiné, na era dos Descobrimentos

Visão Nocturna dos jardins do Hotel 24 de Setembro, antigo QG. das tropas portuguesas

Jantar na esplanada do Hotel 24 de Setembro. Falta o Albuquerque, que estava por "detrás" da câmara

domingo, 9 de novembro de 2008

18º - Encontro do Regresso da Guiné

AVEIRO
6 de Dezembro de 2008



Como ficou combinado o encontro deste ano será em AVEIRO, mais precisamente em ARADAS, sendo o anfitrião o nosso camarada Olímpio Valente, que terá como ajudante de Campo, o Acácio.
O almoço/convívio será no Restaurante JOÃO CAPELA

A ementa é a seguinte:

ENTRADAS:
Pasteis de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, Porto/martini

ALMOÇO:
Creme de Legumes
Bacalhau à Narcisa

SOBREMESA:
Leite-creme, buffet de frutas laminadas e bolo comemorativo

BEBIDAS:
Águas de mesa, refrigerantes, maduro branco e tinto da casa, verde da casa, café, whisky novo ou aguardente velha. (Não há Champanhe)

O preço do almoço será de 20 €uros (mais um euro para despesas de envio e outras)

Caso queiras enviar cheque ou vale de correio pode faze-lo para:
Júlio César C. Ferreira – Rua João Pereira Magalhães, 1077 4815-400 Caldas de Vizela indicando o número de pessoas presentes ao almoço.
De qualquer maneira TENS (é obrigatório) de marcar o teu lugar, por isso não te esqueças de escrever, ou telefonar.

Telefone (Júlio) 933251480 Telefone: (Valente) 966 521 755

TENS de avisar (por carta ou por telefone) até ao dia 2 (terça-feira) SEM FALTA
Itinerário

Sais em Aveiro Sul, A17
Mais ou menos 3 Km, segues na direcção de S. Bernardo e Aradas.
Na Rotunda, voltas à direita na direcção de Cantanhede
Nos semáforos seguintes, viras à esquerda.
Entras na 325 e depois de passares pela igreja que fica ao teu lado direito, verás a indicação, 500 metros à esquerda, do Restaurante João Capela

sábado, 5 de abril de 2008

Ângelo Almeida Campos "O Escrita "

Pois é...
Quando menos se espera, os velhos camaradas de armas vão aparecendo. Há uns tempos atrás dei-vos conta do paradeiro do Lucas.

Hoje dou-vos conta do Escrita!
Lembram-se do Ângelo, da Secretaria? Aquele que às vezes se esquecia de ir buscar o correio? E que jogava futebol pra carago?
Pois, é esse mesmo. Finalmente descobri-o ou por outra, ele é que me descobriu. Vou colocar aqui uma fotos que ele me enviou, para que se recordem dele.
Ah. Antes que me esqueça... O Girão ficou de tratar do próximo encontro, lá em Coimbra. Não esqueças, amigo
Um abraço a todos
Júlio César
Algumas das legendas das fotos, estão imcompletas ( a memória já não é a mesma) espero que algum de vós as corrijam...

sábado, 19 de janeiro de 2008

Libório Moura Lucas


Já no ano passado o procurei...

Este ano, aproveitando a Feira do Fumeiro em Montalegre, fui novamente à procura do Lucas.

Lembram-se dele; do Lucas? O Libório Moura Lucas, de Montalegre, que foi ferido no dia 11 de Novembro de 1971, quando uma granada que tinha ficado esquecida, junto ao arame farpado, aquando dum anterior ataque ao quartel do Cacheu, rebentou repentinamente?

Encontrei-o finalmente.


Pois é... o nosso amigo Lucas, viveu(vive ainda...) todos estes anos na América. Tem lá uma empresa de construção e, felizmente, a vida tem-lhe corrido bem.

Esta foto tem cerca de 8 dias e tirando alguma calvice própria da idade, está o mesmo jovem de sempre.

Um abraço, caro amigo e sê bem vindo ao nosso seio


Júlio César

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Convívio do BCAÇ.2905

É já no próximo dia 8 de Dezembro, que os camaradas do ex. Batalhão de Caçadores 2905, se vai reunir.

Curiosamente, este ano, coincide com o dia exacto da nossa chegada.

Vamos, como estava combinado, até Chaves e o nosso anfitrião será o Dr. Manuel Pinheiro, que foi alferes na CCS.

O almoço/convívio será no Restaurante O Retornado, no Bairro dos Retornados, pouco antes do Modelo.

É fácil chegar, pois são varias as auto-estradas que nos podem conduzir até lá. De qualquer maneira tomando a A24 e logo depois da saída para Chaves, na Rotunda que nos aparece mais ou menos a 2 quilómetros, tomas a esquerda na direcçaõ da Zona Industrial e logo chegas ao Restaurante O Retornado

Comunica se quiseres ir

O telefone é o seguinte - 933251480 (Júlio) e 932738030 (Pinheiro)
Até lá, um abraço

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Adeus "Bragança"

É sempre doloroso, quando perdemos alguém.

Contudo a dor é muito mais forte e dolorosa quando esse alguém é nosso familiar ou um amigo muito chegado. E amigos que não mais se esquecem, são aqueles que fizemos em circunstâncias extremas como foi a guerra colonial que durante dois longos anos tivemos de enfrentar nas matas e bolanhas da Guiné.

Por isso, custa muito, quando algum destes amigos partem para a eternidade. Primeiro foi o Pinto, de Viseu. Agora chega-me a noticia do falecimento do Bragança. Um problema de saúde levou o nosso amigo, em França, país que escolheu para viver, depois de terminada a guerra. Esta noticia chegou-me via Carlos Taveira, ex. furriel, ele também de Bragança, a quem tinha pedido para o tentar encontrar. É uma má noticia, sei-o bem, mas que tem de ser transmitida aos inúmeros amigos que o Bragança tinha.



Descansa em Paz, querido amigo e que Deus te dê a salvação eterna.





Neste grupo de amigos, reconhecem-se : Pascoal, Fernando, Júlio, Campos,e Piteira (em cima). Ferreira, Feijão, Bragança (de camisa camuflada). O camarada que está de tronco nu que me perdoe, mas não recordo o seu nome (em baixo)

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Guiné - Bissau Abril/Maio de 1996

À hora de jantar, no Hotel 24 de Setembro.Em 1º plano, da esquerda para a direita: Aristoteles, Virgilio, Júlio, Mourão (ligeiramente encoberto com o meu braço) Costa e Silva, Magalhães, Barbosa, Acácio e o irmão do Barbosa, que nos acompanhou nesta visita. Falta o Albuquerque, que estava "atrás" do visor da câmara
Uma visão nocturna do Hotel 24 de Setembro, antigo QG, da nossa tropa, aquando da Guerra Colonial/Libertação

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Cacheu 70/71


Num dia de lazer, na cidade do Cacheu, nas traseiras do cafézinho nosso conhecido e amigo, onde se bebiam uma boas bazukas e se comia bom camarão do Rio Cacheu. Presentes o Grupo dos 5; Nunes, Barbosa, Júlio, Pinto (de Viseu, já falecido) e o ausente Bragança, de chapéu madeirense.


Reconhece-se ainda, o Vila Franca, telegrafista de Vila Franca, o António Mota, do Porto e nunca deu sinal de vida e o ex.alferes Ferreira do 4º Grupo, que tem aparecido em alguns encontros e já me visitou, aqui, em Vizela.


Um abraço para todos e um desejo sincero que o Pinto tenha finalmente encontrado a paz que tanto necessitava. ( a propósito... qualquer dia conto aqui o episódio do Pinto e da célebre carta para o Spínola...)


A duas meninas que se vêm na foto são irmãs e se memória não me falha chamavam-se Maria da Luz e Antonieta. Procurei-as em 1996, quando visitei o Cacheu e fui informado que viviam em Zinguinchor



sábado, 28 de julho de 2007

Guiné - Bissau Abril/Maio de 1996

Algures em Bissau, aquando da nossa visita em 1996
AA lancha Saco Vaz ( em memória do Comandante do PAICG, morto em combate com as NT na estrada entre Teixeira Pinto e Cacheu, em 20 de Abril de 1974) que faz ( fazia?) a travessia em João Landim

sexta-feira, 27 de julho de 2007

No Cacheu


Grupo de amigos, em Novembro de 1971, sentados no Fortim do Cacheu, construído pelos Portugueses no Séc.XV, marcando a chegada de Nuno Tristão.

Reconhece-se o Canário, de Portalegre, à esquerda. Os outros dois (está a ficar fraca a memória...) não recordo os nomes, embora de um deles ter uma vaga ideia de ser Fuzileiro especial e natural de Bragança, como o Avelino André, o Bragança.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Cacheu, 70/71

Os amigos inseparáveis.

Da esquerda para a direita: Nunes, que vive em Alpendurada e que aparece sempre aos convívios e que mantém os laços de amizade desde a recruta; Bragança, de seu verdadeiro Avelino André, que ao que sei está em França, para onde foi logo que regressou da guerra e ainda não consegui abraçar; Alferes Ferreira, que ao fim de quase 30 anos, apareceu finalmente; Pinto, de Viseu, que infelizmente já nos deixou e, finalmente o autor deste espaço.
Falta aqui o Barbosa, para o Grupo dos 5 ficar completo

domingo, 15 de julho de 2007

Guiné-Bissau, 25 anos depois

Grupo que em Abril/Maio de 1996, visitou a Guiné. Aqui, no antigo quartel do B.Caç.2905, em Teixeira Pinto e hoje quartel das Forças Armadas da Guiné-Bissau. A confraternização entre antigos inimigos que se impunha (impõe...) Numa dicoteca/bar, exactamente por debaixo do antigo Pelicano, em Bissau

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Maio de 1996 - 25 anos depois

Monumento de homenagem ao Comandante do PAIGC, Saco Vaz, morto em combate com as NT em 20 de Abril de 1974.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Cacheu, Guiné-Bissau

Maio de 1996.
No Cacheu,todos juntinhos, para a fotografia

domingo, 1 de julho de 2007

No dia de S. Martinho

Saíram já depois da meia-noite.

Na tentativa de ludibriar o IN que sabíamos, espiava os nossos movimentos, o primeiro e terceiro grupo de combate da Companhia de Caçadores 2659, que estava sediada em Cacheu (Guiné) e pertencente ao Batalhão de Caçadores 2905, este com a sua sede em Teixeira Pinto, hoje Canchungo, saíram em direcção a Mata e Bianga, duas tabancas normalmente inofensivas e “amigas”, inflectindo, já no meio da bolanha, para Pjangali, principal objectivo da operação.

Conhecia perfeitamente a zona para onde iam e sabia também o perigo que corriam. Já tinha passado por lá muitas vezes e... sabia que ali havia sempre “porrada”.
A marcha tinha de ser lenta e silenciosa pelo meio do capim a ficar seco, cobrindo as nossas cabeças, com as formigas enormes como baratas a entrarem pelo tronco, pescoço e pernas, por todo o lado por onde pudessem penetrar, dando ferroadas de morte, de modos que, muitas vezes, quando sacudidas de forma enérgica, puxando por elas, ficava a cabeça cravada nos nossos braços e pernas.
A bolanha, ainda não muito seca, era outro obstáculo a ultrapassar. A cada passo as pernas enterravam-se no lodo negro e malcheiroso, com a arma e munições numa rodilha à cabeça, preservando a sua funcionalidade. A ração de combate, único alimento para aquele dia, já tinha ficado nos primeiros metros da bolanha, perdida no lodo por entre milhares de minúsculos caranguejos e outros pequenos bichinhos, repugnantes e viscosos, que subiam por todo o corpo.

A manhã despontava, naquele dia 11 de Novembro de 1970, dia de S. Martinho. Era hora de descansar um pouco, retemperar forças antes de seguir para o objectivo.
Pouca passaria do meio-dia, quando chegaram à clareira que defendia as tabancas de Pjangali.
Rastejando como cobras por entre pequenos tufos de erva, os rapazes do primeiro e terceiro grupo de combate, aproximaram-se lentamente das tabancas. De uma delas, bem no centro da aldeia, saía fumo e umas quantas galinhas debicavam aqui e ali, certeza que ali se encontrava alguém. As ordens tinham sido muito claras e cada um sabia o que tinha a fazer.
Completaram o envolvimento e entraram na aldeia sem que se ouvisse um único tiro.
Cautelosamente, abrigados, com um grupo de homens protegendo a rectaguarda, avançaram até à primeira tabanca e entraram de rompante. Lá dentro, com um ar um tanto surpreendido, um “homem grande”, olhava-os com o medo estampado no olhar.
Vendo que não havia perigo, os homens da companhia avançaram. A principio, cautelosamente, para logo depois descomprimirem. O alvoroço de galinhas e porcos, obrigaram a aparecer crianças, homens e mulheres, estes já velhos, sinal inequívoco que os mais jovens andariam em sortidas com os guerrilheiros.
Apareciam de todos os lados, garantia que, apesar de todas as cautelas tomadas, tinham sido previamente detectados. Foram interrogados pelo comandante da operação e, valendo-se de um dos guias, numa mistura de crioulo, manjaco e balanta, foram sabendo que já há vários dias que ali não parecia ninguém e que eram só aqueles os habitantes da tabanca. Abivacaram mesmo ali e as rações de combate que alguns deles, felizmente, ainda traziam, foram repartidas pelos nativos, enquanto o cabo enfermeiro curava algumas feridas e distribuía “mezinha” entre eles.
Eram horas de regressar e após contacto com a base receberam instruções para seguirem por Mata e Bianga.
Seriam cerca das seis horas da tarde quando os camaradas que ficaram no aquartelamento, os viram a atravessar a pista de aterragem. Pouco depois entravam pela porta que dava para o cemitério da povoação nativa por entre gritos de júbilo e de boas vindas dos que ficaram e que queriam saber como decorrera a operação. Vinham todos... Cansados, mas sorridentes. E, não era para menos. Não era a primeira vez que se ia para aquela zona e, todos sabiam que ali era costume “embrulhar". Além disso, era dia de S. Martinho e, tudo estava preparado para uma grande festa, como era da praxe, em dias marcantes do nosso calendário!
Fiquei por ali um pouco, trocando impressões com o comandante da operação, sabendo como decorrera, quando uma forte explosão nos atirou por terra.
Pensamos que era um ataque ao aquartelamento que, afinal era costume, ao final da tarde, quando gritos lancinantes e uma nuvem de poeira e estilhaços varreram toda a parada. Apercebi-me logo que algo de muito grave tinha acontecido e corri para o abrigo do primeiro grupo de combate. Por entre a poeira, correrias em pânico e muitos gritos (que ainda oiço muitas vezes) vi muitos dos nossos camaradas contorcendo-se por entre gritos de dor, tentando estancar o sangue que lhes saía de várias feridas espalhadas pelo corpo. Num rápido olhar avaliei a situação e vi um deles – o cabo Malheiro – que era o que estava mais perto da entrada, muito ferido. Peguei nele e vi, horrorizado, que as duas pernas, do joelho para baixo, tinham desaparecido. O sangue saía aos borbotões daqueles cotos, com a pele em fiapos, com músculos, veias e artérias como se tivessem sido cortados com uma serra velha. Sangue e mais sangue!!! Tentei manter a serenidade e, com outros camaradas, corremos, gritando para afugentar o pânico, transportando-o, em “cadeirinha” até à enfermaria, onde os enfermeiros se afadigavam, tentando por todos os meios estancar o sangue que se esvaía das feridas abertas. As compressas e ligaduras depressa ficaram ensopadas em sangue, até que se esgotaram.

Peguei nele e vi, horrorizado, que as duas pernas, do joelho para baixo, tinham desaparecido

Pouco depois descobrimos outro ferido grave. Estava num local mais afastado do abrigo. Segurava a barriga com um esgar de medo e dor. Um buraco enorme, onde cabiam dois punhos cerrados, deixava ver parte das suas entranhas. Era horrível!
Entretanto caía a noite no Cacheu (na Guiné, depois das 18 horas é já noite). Os homens do posto de rádio afadigavam-se pedindo por socorro e o capitão gritava para Bissau a chamando a evacuação de dois feridos graves.
Às desculpas de que, de noite, não podia levantar qualquer avião ou helicóptero, por falta de visibilidade, o nosso capitão respondia que iluminava a pista com todas as viaturas do quartel e, assim se fez, mesmo sem se ter a certeza da chegada de socorros.

Naquela guerra era proibido morrer ou ser ferido durante a noite...

Cerca das oito horas da noite, o Primeiro – Cabo Malheiro, morria, esvaído em sangue por falta de assistência (porque os aviões de socorro não podem voar de noite...) não obstante todos os esforços para o manter vivo. Uma onda de raiva e impotência varreu toda a Companhia de Caçadores 2659. Chorava-se pelos cantos e vociferava-se contra os senhores de Bissau que, no conforto do ar condicionado, se estavam marimbando para os camaradas que morriam no mato. O Capitão, no posto de rádio, desalentado, horrorizado pela falta de socorro, gritava com Bissau, dizendo para trazerem, não um, mas vários caixões.
Eram 10 horas da noite quando as viaturas que estavam na pista, com todos os faróis acesos, pondo a pista como se fosse dia, receberam ordens para regressar.

Tinha falecido o outro ferido grave – o saldado Marques – que, por malvadez do destino, se encontrava no local errado. Ele que, embora pertencesse ao primeiro grupo de combate, tinha sido dispensado daquela operação. Ele que deveria regressar à Metrópole dentro de dias. A doença que lhe fora detectada, tinha-o dispensado do serviço. Ele, que já tinha escrito à família, dizendo que se ia embora... Ele, que até já tinha feito o espólio e trajava já à civil!!!
Ninguém dormiu nessa noite. A dor e a raiva eram demasiadas.

Naquela guerra era proibido morrer ou ser ferido durante a noite...

De manhã cedo, a DO começou a sobrevoar o aquartelamento e o Valente, de Vilar de Mouros, com os olhos ainda cheios de lágrimas de raiva, correu para a Breda e disparou vários tiros de desespero contra a avioneta. Eram balas de dor, de raiva, de impotência, de desespero. Chamado à razão, corremos para a pista e, quando a DO aterrou, foi difícil conter a ira de muitos de nós e o piloto foi cuspido, insultado e pontapeado. Felizmente, alguns mais serenos, conseguiram ouvir a voz do nosso Capitão, chamando-os à razão. O piloto de nada sabia. Tinha entrado de serviço naquela manhã.
Mais tarde, já durante o dia, enquanto deambulávamos por ali, soubemos o que se tinha passado.
O Cabo Malheiro – o primeiro a morrer – que era portador da Bazooka, ao entrar no abrigo, colocou - a de encontro à parede com a saída para baixo. A mola que, normalmente, segura a granada estava avariada (como quase tudo naquela guerra...) e a granada caiu no chão, explodindo de seguida. Dos outros feridos graves, só o Mendes, de Riba d’ Ave, é que teve de ser evacuado.

Encontramo-nos uma ou duas vezes por ano. Não tem problemas de maior, depois de andar vários anos à espera que os estilhaços (não sei se já lhe saíram???) lhe saíssem todos. Nunca falamos do que aconteceu.
É duro demais para relembrar...

PS. Alterei os nomes dos dois camaradas mortos. O respeito pelo sofrimento das famílias assim o impõe.

(Publicado no Noticias Magazine –“ Experiências de Guerra”)